terça-feira, 21 de outubro de 2014

Tudo ou nada

Ela saiu do táxi, chegada do Europa, e tirou as chaves da mala. Sentado à porta do prédio lá estava ele. A quem chamara tantas coisas. A quem desejara e odiara num ápice. Ele esperava-a há horas. "O que é que estás aqui a fazer?", era a pergunta óbvia. "Preciso de falar contigo. De te ver."

Ela estava um misto de estupefacta e assustada. Sob um estado que já não era bom... "Só podes estar doido. Em delírio!", disse-lhe.

"Sai da frente." O tom era seco e assertivo.

Ele afastou-se ligeiramente, mas, deliberadamente, não o suficiente para ela poder passar. "Eu sei que estás fodida comigo. Eu sei. Mas vais dizer que não sentes nada, que eu não estou a sentir nada agora?!"
Ela tremeu. A energia dele não lhe era indiferente. Ainda não. O olhar, o sorriso. Ela podia muito bem dizer-lhe "Claro que eu sinto alguma coisa. Eu quero-te. Quero-te muito!", que seria tudo verdade.

Mas era o momento do tudo ou nada.
E ela teve de lhe repetir "Sai. Desaparece. Não te quero voltar a ver! Achei que tinha sido clara... Faz o favor de esquecer que eu existo!!"

Empurrou-o enquanto abria a porta pesada, de ferro, da sua entrada. Ele ainda segurou a porta com o braço e ela fez-lhe o último olhar decisivo antes de forçar o fecho.

Em direção ao elevador, ainda ia atordoada. "Mas o que é que este tipo estava aqui a fazer?! Ele achava mesmo que eu lhe ia dizer que sim?! Depois de tudo?!"

Enfim... Claramente ele precisava disto. E provavelmente ela também.
Entrou no elevador e carregou para subir. Meteu a chave à porta. Ia finalmente entrar em casa depois de uma noite que se tornara demasiado longa. Com o fechar da porta encerraria, simbolicamente, muito mais do que um dia.

Respirou fundo. Inspirou e expirou lentamente. Ficou um minuto a tomar consciência de si própria. Afinal, no momento do "tudo ou nada" ela escolheu o tudo. Sim, ela só queria ter o tudo. Nada mais lhe servia. E podia agora dormir descansada, na certeza de, mais uma vez, ter tomado a decisão certa.

sexta-feira, 10 de outubro de 2014

Ilusão


Gagueja a noite. Estremece a fala. Treme antes de expulsar as palavras que sabe difíceis. Não difíceis. Dolorosas. Mas sabe que não tem outra hipótese. Ela não lhe dará outra hipótese.

Acompanham-se um ao outro por entre lugares que tão bem conhecem. O caminho, esse, é novo. Começou agora. É breve o segundo que medeia o até amanhã alheio e o segundo em que ele avança. Em direcção ao tabu e sem o atropelar, demonstra, pela primeira vez, desejo de o quebrar. O caminho era longo. O tempo não era infinito. Ela já estava cansada. Cansada de esperar. Deu-lhe até ao fim do caminho. Andaram, mas apenas se seguiu o silêncio. Ela sentiu-se desiludida. Jamais falaria, pensou. Jamais explicaria. Prestes estava a conformar-se que, afinal, nunca saberia. E assim foi. A cobardia lúcida e a confusão (também) aparente não permitiriam.

Último cigarro. Era o prazo. Não falas?! Não queres falar?! Chega. Não vou esperar mais.

Adeus.

Subiu. Vestiu o pijama. Guardou para si o que no fim de contas não era nada. Pura e simplesmente nada.

Em leve alvoroço interior, não teve tempo de acalmar. O toque súbito do telemóvel fê-la despertar do automatismo dos pensamentos profundos.

Desce. Por favor. Preciso de te dizer.

Ela acedeu. Vestiu-se rápido. Desceu. Ela desejava saber. Não, compreender.

Ele voltou a gaguejar. A sussurrar minimamente por entre meias palavras. A fracassar.

Ela voltou a subir. Era uma perda de tempo.

Já bastante incomodada, tentou esquecer algo que não poderia entender. Novo toque. E voltou a tocar. Continuamente.

Agora já não pediu, implorou que descesse. Mendigou por uma derradeira oportunidade, fazendo a promessa de que falaria. Mas falaria de quê?! Porquê?! A intensidade e a demência da situação já não a deixavam pensar claro. Estava exausta de tanta loucura. Mas que fazer?!! A voz do outro lado deu-lhe pena. Ouvia o desespero, sentia-o a tremer. Ela própria já tremia de tamanha ansiedade. Não iria. Iria?! Não será pior a dúvida? Ai…

O elevador parou novamente no rés-do-chão. Não tinha esperança que ele falasse, apesar das promessas. Foi por descargo da sua própria consciência.

Teve medo então. Medo de fraquejar nas suas certezas, medo da atmosfera poderosíssima. Ele avançou. Ela recuou. Encurralou-a contra a parede. Ela ficou imóvel de medo. Ele não proferia palavras com nexo, mas a energia era avassaladora. A energia saía-lhe dos poros. Era emoção feroz, coração aos pulos. Fechou os olhos por momentos. Pelo segundo do pecado. Sentiu o leve toque dos seus lábios, que repeliu.

Já tinha dito que não. Já tinha tentado explicar. Convencer. Convencer-se. Ela não poderia deixar de recordar a si própria o quão rápido teria de fugir daquela situação. Já tinha ido longe demais. Ela não abdicaria dos seus princípios. Preferia poder viver consigo própria.

Lutando ferozmente contra os seus instintos, os desejos mais íntimos da carne, resistiu a entregar-se à pura loucura que a esperava. Renegou o prazer para poder fazer o que estava correcto. Perante o choro intermitente daquele homem, que implorava por uma oportunidade, disse peremptoriamente que não.

Eu quero estar contigo. Não é hoje, é todos os dias da minha vida, em todo o lado, fazer tudo!

Isto é real, não é loucura”, tremia chorando, como se o mundo já não existisse.

E ela tentou desesperadamente acreditar nisso.

E por acreditar…empurrou-o para fora do elevador. “Não pode ser. Não vai acontecer. Eu estou com uma pessoa, tu estás com uma pessoa. Nós não podemos estar juntos.

Fechou a porta e carregou no botão do seu andar.

Apesar de tudo, jamais ela disse que não sentia o mesmo que ele ou que não tinha vontade de experimentar. O dilema era outro… Afinal, valerá a pena trocar uma emoção ainda que fugaz pela seriedade moral que ninguém reconhece?!

Para seu conforto, ela diz a si mesma, ano após ano, que fez bem… que tudo aquilo não passou de uma “ilusão”. Será?!?

segunda-feira, 29 de setembro de 2014

Sofrimento sereno

Os teus olhos são como um reflexo, vidrado, de mim.

São o espelho da dor que sinto por te saber preso em ti.

Com os punhos do meu desespero, esmurro a parede que erigiste,

Não para mim, mas para ti

Como defesa infindável de um ser que não sabe mais nadar

Fora das águas do seu sofrimento, das ondas da sua loucura.

É o mar do meu descontentamento;

Mas antes, antes de tudo

É o vale desse tormento

Em que nos encontramos e nos desencontramos.

Ano após ano, vida após vida.

Para no fim olharmos um para o outro

E no reflexo já baço, dos olhos já cansados,

Docemente entrelaçarmos sorrisos

Recordando o sabor longínquo das nossas bocas

E assentirmos levemente, como quem sabe, que sim.

domingo, 28 de setembro de 2014

Receita para o adeus

Não preciso ver-te para saber que te desejo.
Mas preciso ter-te para não mais te ver.

sexta-feira, 26 de setembro de 2014

Saudades dos teus 10 minutos


Saudades de te ter a 10 minutos. De te ouvir dizer que saíste agora do banho, sabendo que ainda estás na cama. Saudades de te ouvir rir, sincera e despreocupadamente. Aquele riso que me enche de energia e me faz levantar e estar pronta. Saudades de sermos só nós no nosso mundo, sem contas para prestar. Saudades de vestir o teu casaco. Dos pregos que dizes serem os melhores. Saudades de partilhar uma mini contigo. Saudades de uma noite louca. Saudades do teu acordar. Da tua mão a afastar o meu cabelo, de sentir o meu perfume através de ti. Quero poder deitar-me outra vez no teu colo e ouvir-te através do silêncio. Quero sentir a nossa energia sem que nos mexamos. Saudades de te ter ao meu lado. Saudades de transformar o desejo em realidade e de te tocar. Saudades de recordar contigo um sem fim de histórias...as nossas. Mas saudades maiores de criar contigo novas lembranças, para poder voltar a ter saudades.

Não demores a voltar, está bem?

terça-feira, 23 de setembro de 2014

Veneno


És veneno. Veneno que queima a minha alma. Aquece primeiro, enquanto o diabo se ri. Incendeia a água, o céu abre-se e chora. E tu ris-te. És a droga que eu não tomo mas que percorre as minhas veias como mil riscos mandados. Bombeias o meu coração como a maquinaria que oxalá nunca tenha. Respiro o som do teu olhar como se do ar mais puro se tratasse. Fazes-me desejar os botões da tua camisa, o fecho das tuas calças. Desejo-os tanto que os arranco só de te olhar. Luto contra a minha falta de força em te resistir. És o perigo que deixo que me aconchegue. És o errado mais certo que alguém inventou. De onde é que tu saíste, porque atormentas a minha alma já delirante?! A ideia do teu toque enlouquece a minha pele sem qualquer aviso. O calor que os nossos corpos geram antes mesmo de se terem, incendeia as paredes em volta. Tocas-me e eu esqueço o tempo, o espaço e o amanhã. Ensinas-me o beijo que não quero aprender e esqueço o certo e o errado. Nos teus braços não distingo o bem do mal. Só sei que estou viva e que não quero acordar nunca do sonho. São segundos perfeitos. Momentos de prazer impagáveis que não se trocam por nada. De onde saíste tu, diabo na terra?! Destruímos o cenário em volta. O tapete ganha vida e voa. A mesa dança. O sofá canta para nós. A tua voz acalma o meu espírito. Fazes o sorriso que, de tão sincero, chega a ser maroto. És como uma praga que não consigo extinguir. Vai-te embora e muda de mundo! Este é pequeno de mais para nós os dois. É a única salvação para o nosso pecado. Faz por mim o que eu não consigo sozinha. Levarei comigo o teu doce sabor para o outro lado. Chegarei com um sorriso e encontrar-te-ei. É uma promessa. Aí beberei o teu veneno sem culpa, como o vinho que partilhámos no caminho. Aí aqueceremos o único sítio onde não sentiremos calor.

Até lá... Fica apenas a certeza de que arderemos no inferno da lembrança um do outro. 

sábado, 13 de setembro de 2014

Reencontros

Foi a leveza que me conquistou. A sinceridade de um olhar sem medo... atraiu-me como água num deserto. Tanto que estive submersa num mar profundo, tanto tempo à deriva sem rumo. Lá estavas tu de sorriso leve e gargalhada fácil para me trazeres à tona por um instante. Duradouro pela marca que em mim deixaste. Curto pelo sabor doce que por pouco tempo experimentei.

Já não sei quando dei a última gargalhada assim. O que chorei... Por ele, pelo outro, pelo de sempre.  O que ficou por dizer a quem partiu antes do tempo. O que sofri por não sentir ou por sentir de mais.

Naquele instante contigo, por entre beijos esquivos e abraços apertados, gargalhadas verdadeiras e sorrisos sedutores, lá estava eu outra vez. Aquela de quem eu gosto. A que tem uma alegria sem fim de tão contagiante, a que é otimista por princípio, a que acredita que tudo corre bem, a que confia no destino, a que ama a vida.

Nesses disparates sem fim e jogos despreocupados, no (des)pudor de um encontro ocasional e furtivo, lá estava eu em ti e tu em mim.

Sorrindo, disseste que parecia que me conhecias há muito tempo. Quem sabe o tempo...
Sorrindo, escrevo que nessa noite me reencontrei em ti.
Se veio para ficar...
Talvez um dia o saiba.


quarta-feira, 30 de julho de 2014

A hora da despedida


No caminhar dos passos sobre as pedras da calçada senti que fora a última vez. Como um vazio por saber que era uma despedida, o encerrar de um ciclo. Preferia estar enganada e ter hoje mil oportunidades para o contrariar. Com a roupa de ontem, a cara de hoje e os óculos do outro iniciei o caminho de volta - e sem volta - enquanto te insultava por escrito.


Se tu soubesses… acredito que nada farias diferente. E se eu soubesse, teria feito algo diferente?

segunda-feira, 21 de julho de 2014

Travessia...


Hoje sinto um deserto em mim. Não que eu saiba o que é o deserto ou que já tenha estado num. Mas como um dos vários significados atribuídos à palavra, hoje é esta palavra que define o meu estado de espírito. "Ermo, despovoado, solitário" é o lugar em que habito desde há muito. E esse muito é tempo a mais.

Poderia ser também "vazio" o termo escolhido, enquanto matéria à qual o conteúdo foi retirado. Mas "deserto" tem em si a ideia de travessia, que "vazio" não tem. Acredito que a minha alma não ficou deserta, mas atravessa um deserto. Seco de emoções, árido de afetos. Como se eu já tivesse esgotado tudo o que pudesse sentir. No que efetivamente senti e no que deixei por sentir. Como se já não fosse capaz de sentir mais nada de bom, de leve, de esperançoso. Vivendo apenas como um autómato que reconhece as funções a desempenhar, as tarefas a cumprir. Assim vivo todos os dias, sem qualquer sentido de caminho. Antes parecia tão fácil estar alegre e contente, resplandecente de luz. Algo que antes era tão natural agora parece tão difícil de alcançar. Nada nos é garantido afinal. Podemos perder tanto em tão pouco tempo... Como uma luz que se apaga na escuridão. Escuridão de uma noite fria rodeada de areia sem fim. Sem motivo, avaria ou razão aparente. Apaga-se quando mais se precisa dela. Para deixar um vazio a preencher o lugar outrora quente e dourado de uma alma cheia de luz.

Hoje estou deserta. De mim, de ti, de nós. De tudo o que foi, tudo o que não foi e o que não chegou a ser. E do que já não poderá ser. Deserta de emoções e de afetos. Numa travessia só minha... que eu não escolhi, mas que também não evitei que acontecesse.

quarta-feira, 23 de abril de 2014

O poder do beijo


Não digas mais nada. A noite já não precisa disso, de tão perfeita que foi. Eu não preciso disso. Nem de sinos, balões ou serpentinas. Preciso só que me beijes já, como se não houvesse mais nada no mundo que importasse. Como se este fosse o único motivo pelo qual a terra ainda gira. Beija-me já ou terei de te beijar eu. Estes segundos de espera estão a deixar-me louca, como quem circula sem travões em reta de autoestrada. Sem limpa para-brisas em noite de tempestade. Faz alguma coisa já ou não respondo por mim. Mais um minuto é tempo de sofrimento infinito. Os teus lábios nos meus é a única ideia que povoa a minha mente. O meu corpo. Sem espaço para mais nada. Como um muro intransponível que se depara no nosso caminho. Nada passa para além dele. Eu sem ti, sem o teu beijo, não passo para além. Então porque esperas? Esquece o minuto que se segue e eterniza este segundo em mim, transformando a promessa de beijo no beijo sentido que a noite envolveu desde o início.

quinta-feira, 17 de abril de 2014

Imobilidade

É uma consequência, um efeito e, simultaneamente, um defeito da natureza humana. Esse fantasma que paira sobre os mais ociosos ou, simplesmente, desgostosos. Quando nos encontramos perdidos tendemos a pontapear as pedrinhas que deixámos a sinalizar o caminho. Esse caminho que agora pode já não ter volta.

O ser humano, confrontado com uma decisão importante que deve tomar, hesita. Todos os pontos de viragem representam mudanças que pela sua mera definição são, sempre, capazes de nos angustiar. E se não é a angústia, é a ansiedade de estarmos conscientes de que estamos a procrastinar. Não porque não queremos, não porque não nos apetece, mas porque não somos capazes. Jamais seremos capazes de nos lançar despojada e autonomamente para a frente de uma batalha que sabemos estar perdida. Mas perdida ou não, é um combate necessário, é a luta o verdadeiro objectivo e não o seu resultado. E contra o quê verdadeiramente lutaremos nós?

Lutamos contra o nosso medo de mudar, de imprimir na nossa vida uma mudança de página ou, até, de guião. Duro é o caminho através do qual escrevemos e deixamos que escrevam o nosso destino. Porém é razão de força e necessidade não nos deixarmos escorregar pelo ralo do lavatório da vida. Ultrapassar o nosso próprio obstáculo – a petrificação.

Cristalizamos em nós o medo e acreditamos que não vale mais a pena acreditar. Somos o nosso maior inimigo depois da conspiração que julgamos o mundo tecer contra nós. Desaprendemos a pedir ajuda e um dia, quando mais dela necessitamos, ficamos imóveis na nossa incapacidade de acção. Uma, duas, três, até que a mesma se torna crónica. Como uma verdadeira doença, que os medicamentos não curam; já só evitam a chegada da morte.
 

quinta-feira, 27 de março de 2014

Banalidades ou não...

"Stop getting involved in relationships for the wrong reasons. Relationships must be chosen wisely.  It’s better to be alone than to be in bad company.  There’s no need to rush.  If something is meant to be, it will happen – in the right time, with the right person, and for the best reason. Fall in love when you’re ready, not when you’re lonely."


(Para a minha querida M.)

Stop trying to hold onto the past...


...you can’t start the next chapter of your life if you keep re-reading your last one.

sexta-feira, 21 de março de 2014

Purgatório das almas sem amor

Com o passar dos dias a angústia por não te ver ficou mais leve; a ansiedade para te ver ficou mais doce. Ontem tiravas-me o fôlego num pensamento; hoje já não assustas o meu ser. O medo da incerteza venceu. Provavelmente foi isso.

Tanto que poderia ter sido o nosso caminho, por entre ruas sem nome, sobre pedras brilhantes de calor, sob um céu azul de maresia. Mas não fomos longe, não chegámos ao início dessa rua. Ficámos ainda na praceta velha e sorumbática, recheada de prédios com a tinta desmaiada e a estalar. Um local onde o cheiro a urina da noite anterior e os copos largados no chão das beatas não deixam dúvidas da sujidade em que nos movemos. O sítio onde ficámos presos, sem que nada verdadeiramente nos segurasse. Uma espécie de purgatório das almas onde ficam aqueles que deixaram passar a oportunidade de se entregarem. De amarem. Secos e sós lá ficámos sem amor. E pior... Sendo obrigados a vermo-nos todos os dias, mudos permanecemos.

A incerteza de um dia tornou-se afinal a certeza de uma vida que podia ter sido e não foi. O medo de ser feliz venceu-nos... E a questão que se coloca é: valerá a pena esta derrota?