São o espelho da dor que sinto por te saber preso em ti.
Com os punhos do meu desespero, esmurro a parede que erigiste,
Não para mim, mas para ti
Como defesa infindável de um ser que não sabe mais nadar
Fora das águas do seu sofrimento, das ondas da sua loucura.
É o mar do meu descontentamento;
Mas antes, antes de tudo
É o vale desse tormento
Em que nos encontramos e nos desencontramos.
Ano após ano, vida após vida.
Para no fim olharmos um para o outro
E no reflexo já baço, dos olhos já cansados,
Docemente entrelaçarmos sorrisos
Recordando o sabor longínquo das nossas bocas
E assentirmos levemente, como quem sabe, que sim.