segunda-feira, 29 de setembro de 2014

Sofrimento sereno

Os teus olhos são como um reflexo, vidrado, de mim.

São o espelho da dor que sinto por te saber preso em ti.

Com os punhos do meu desespero, esmurro a parede que erigiste,

Não para mim, mas para ti

Como defesa infindável de um ser que não sabe mais nadar

Fora das águas do seu sofrimento, das ondas da sua loucura.

É o mar do meu descontentamento;

Mas antes, antes de tudo

É o vale desse tormento

Em que nos encontramos e nos desencontramos.

Ano após ano, vida após vida.

Para no fim olharmos um para o outro

E no reflexo já baço, dos olhos já cansados,

Docemente entrelaçarmos sorrisos

Recordando o sabor longínquo das nossas bocas

E assentirmos levemente, como quem sabe, que sim.

domingo, 28 de setembro de 2014

Receita para o adeus

Não preciso ver-te para saber que te desejo.
Mas preciso ter-te para não mais te ver.

sexta-feira, 26 de setembro de 2014

Saudades dos teus 10 minutos


Saudades de te ter a 10 minutos. De te ouvir dizer que saíste agora do banho, sabendo que ainda estás na cama. Saudades de te ouvir rir, sincera e despreocupadamente. Aquele riso que me enche de energia e me faz levantar e estar pronta. Saudades de sermos só nós no nosso mundo, sem contas para prestar. Saudades de vestir o teu casaco. Dos pregos que dizes serem os melhores. Saudades de partilhar uma mini contigo. Saudades de uma noite louca. Saudades do teu acordar. Da tua mão a afastar o meu cabelo, de sentir o meu perfume através de ti. Quero poder deitar-me outra vez no teu colo e ouvir-te através do silêncio. Quero sentir a nossa energia sem que nos mexamos. Saudades de te ter ao meu lado. Saudades de transformar o desejo em realidade e de te tocar. Saudades de recordar contigo um sem fim de histórias...as nossas. Mas saudades maiores de criar contigo novas lembranças, para poder voltar a ter saudades.

Não demores a voltar, está bem?

terça-feira, 23 de setembro de 2014

Veneno


És veneno. Veneno que queima a minha alma. Aquece primeiro, enquanto o diabo se ri. Incendeia a água, o céu abre-se e chora. E tu ris-te. És a droga que eu não tomo mas que percorre as minhas veias como mil riscos mandados. Bombeias o meu coração como a maquinaria que oxalá nunca tenha. Respiro o som do teu olhar como se do ar mais puro se tratasse. Fazes-me desejar os botões da tua camisa, o fecho das tuas calças. Desejo-os tanto que os arranco só de te olhar. Luto contra a minha falta de força em te resistir. És o perigo que deixo que me aconchegue. És o errado mais certo que alguém inventou. De onde é que tu saíste, porque atormentas a minha alma já delirante?! A ideia do teu toque enlouquece a minha pele sem qualquer aviso. O calor que os nossos corpos geram antes mesmo de se terem, incendeia as paredes em volta. Tocas-me e eu esqueço o tempo, o espaço e o amanhã. Ensinas-me o beijo que não quero aprender e esqueço o certo e o errado. Nos teus braços não distingo o bem do mal. Só sei que estou viva e que não quero acordar nunca do sonho. São segundos perfeitos. Momentos de prazer impagáveis que não se trocam por nada. De onde saíste tu, diabo na terra?! Destruímos o cenário em volta. O tapete ganha vida e voa. A mesa dança. O sofá canta para nós. A tua voz acalma o meu espírito. Fazes o sorriso que, de tão sincero, chega a ser maroto. És como uma praga que não consigo extinguir. Vai-te embora e muda de mundo! Este é pequeno de mais para nós os dois. É a única salvação para o nosso pecado. Faz por mim o que eu não consigo sozinha. Levarei comigo o teu doce sabor para o outro lado. Chegarei com um sorriso e encontrar-te-ei. É uma promessa. Aí beberei o teu veneno sem culpa, como o vinho que partilhámos no caminho. Aí aqueceremos o único sítio onde não sentiremos calor.

Até lá... Fica apenas a certeza de que arderemos no inferno da lembrança um do outro. 

sábado, 13 de setembro de 2014

Reencontros

Foi a leveza que me conquistou. A sinceridade de um olhar sem medo... atraiu-me como água num deserto. Tanto que estive submersa num mar profundo, tanto tempo à deriva sem rumo. Lá estavas tu de sorriso leve e gargalhada fácil para me trazeres à tona por um instante. Duradouro pela marca que em mim deixaste. Curto pelo sabor doce que por pouco tempo experimentei.

Já não sei quando dei a última gargalhada assim. O que chorei... Por ele, pelo outro, pelo de sempre.  O que ficou por dizer a quem partiu antes do tempo. O que sofri por não sentir ou por sentir de mais.

Naquele instante contigo, por entre beijos esquivos e abraços apertados, gargalhadas verdadeiras e sorrisos sedutores, lá estava eu outra vez. Aquela de quem eu gosto. A que tem uma alegria sem fim de tão contagiante, a que é otimista por princípio, a que acredita que tudo corre bem, a que confia no destino, a que ama a vida.

Nesses disparates sem fim e jogos despreocupados, no (des)pudor de um encontro ocasional e furtivo, lá estava eu em ti e tu em mim.

Sorrindo, disseste que parecia que me conhecias há muito tempo. Quem sabe o tempo...
Sorrindo, escrevo que nessa noite me reencontrei em ti.
Se veio para ficar...
Talvez um dia o saiba.