segunda-feira, 29 de setembro de 2014

Sofrimento sereno

Os teus olhos são como um reflexo, vidrado, de mim.

São o espelho da dor que sinto por te saber preso em ti.

Com os punhos do meu desespero, esmurro a parede que erigiste,

Não para mim, mas para ti

Como defesa infindável de um ser que não sabe mais nadar

Fora das águas do seu sofrimento, das ondas da sua loucura.

É o mar do meu descontentamento;

Mas antes, antes de tudo

É o vale desse tormento

Em que nos encontramos e nos desencontramos.

Ano após ano, vida após vida.

Para no fim olharmos um para o outro

E no reflexo já baço, dos olhos já cansados,

Docemente entrelaçarmos sorrisos

Recordando o sabor longínquo das nossas bocas

E assentirmos levemente, como quem sabe, que sim.

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