Um dia acontece, somos surpreendidos pela visão do que poderia ter sido, do que gostaríamos que tivesse sido, daquilo que queríamos que fosse. E durante umas horas, o sonho ganha vida própria….e a mente viaja.
De entre todos os errados no mundo, tu és sem dúvida o mais certo. Agora que te foste, percebo que não deverias ter ido. Por entre guerras inúteis e jogos vazios de sentido, perdemo-nos um ao outro. No medo de alguém ceder, não soubemos dizer o que realmente sentíamos. Eu não soube pôr em gestos o contrário dos meus actos. Eu não soube traduzir em palavras a verdade dos meus sentimentos. Acreditando que o destino faria tudo por nós, como havia feito até à data, deixei-me acomodar. Fiquei simplesmente à espera do dia em que tu dirias exactamente aquilo que eu queria ouvir, que eu esperava ouvir.
Fiquei, segura e alegremente, à espera que tu cedesses a este braço de ferro que criámos e te declarasses. Esperei ouvir a concretização do “fomos feitos um para o outro” no “fica comigo. Todos os dias. Sempre!”. Enfim, fiquei à espera que fizesses tudo…
Passado o momento, agora, não tenho nada, não há nada…
Resta apenas a recordação do teu toque desafiador, do teu abraço terno, do teu beijo sentido. Fica a lembrança da tua timidez sincera, da tua entrega ímpar, da tua fragilidade não declarada…
Fica, afinal, a recordação de quem tu não és.