terça-feira, 23 de setembro de 2014

Veneno


És veneno. Veneno que queima a minha alma. Aquece primeiro, enquanto o diabo se ri. Incendeia a água, o céu abre-se e chora. E tu ris-te. És a droga que eu não tomo mas que percorre as minhas veias como mil riscos mandados. Bombeias o meu coração como a maquinaria que oxalá nunca tenha. Respiro o som do teu olhar como se do ar mais puro se tratasse. Fazes-me desejar os botões da tua camisa, o fecho das tuas calças. Desejo-os tanto que os arranco só de te olhar. Luto contra a minha falta de força em te resistir. És o perigo que deixo que me aconchegue. És o errado mais certo que alguém inventou. De onde é que tu saíste, porque atormentas a minha alma já delirante?! A ideia do teu toque enlouquece a minha pele sem qualquer aviso. O calor que os nossos corpos geram antes mesmo de se terem, incendeia as paredes em volta. Tocas-me e eu esqueço o tempo, o espaço e o amanhã. Ensinas-me o beijo que não quero aprender e esqueço o certo e o errado. Nos teus braços não distingo o bem do mal. Só sei que estou viva e que não quero acordar nunca do sonho. São segundos perfeitos. Momentos de prazer impagáveis que não se trocam por nada. De onde saíste tu, diabo na terra?! Destruímos o cenário em volta. O tapete ganha vida e voa. A mesa dança. O sofá canta para nós. A tua voz acalma o meu espírito. Fazes o sorriso que, de tão sincero, chega a ser maroto. És como uma praga que não consigo extinguir. Vai-te embora e muda de mundo! Este é pequeno de mais para nós os dois. É a única salvação para o nosso pecado. Faz por mim o que eu não consigo sozinha. Levarei comigo o teu doce sabor para o outro lado. Chegarei com um sorriso e encontrar-te-ei. É uma promessa. Aí beberei o teu veneno sem culpa, como o vinho que partilhámos no caminho. Aí aqueceremos o único sítio onde não sentiremos calor.

Até lá... Fica apenas a certeza de que arderemos no inferno da lembrança um do outro. 

Sem comentários:

Enviar um comentário