És veneno. Veneno que queima a minha alma. Aquece primeiro, enquanto o diabo
se ri. Incendeia a água, o céu abre-se e chora. E tu ris-te. És a droga que eu
não tomo mas que percorre as minhas veias como mil riscos mandados. Bombeias o
meu coração como a maquinaria que oxalá nunca tenha. Respiro o som do teu olhar
como se do ar mais puro se tratasse. Fazes-me desejar os botões da tua camisa,
o fecho das tuas calças. Desejo-os tanto que os arranco só de te olhar. Luto
contra a minha falta de força em te resistir. És o perigo que deixo que me
aconchegue. És o errado mais certo que alguém inventou. De onde é que tu
saíste, porque atormentas a minha alma já delirante?! A ideia do teu toque
enlouquece a minha pele sem qualquer aviso. O calor que os nossos corpos geram
antes mesmo de se terem, incendeia as paredes em volta. Tocas-me e eu esqueço o
tempo, o espaço e o amanhã. Ensinas-me o beijo que não quero aprender e esqueço
o certo e o errado. Nos teus braços não distingo o bem do mal. Só sei que estou
viva e que não quero acordar nunca do sonho. São segundos perfeitos. Momentos
de prazer impagáveis que não se trocam por nada. De onde saíste tu, diabo na
terra?! Destruímos o cenário em volta. O tapete ganha vida e voa. A mesa dança.
O sofá canta para nós. A tua voz acalma o meu espírito. Fazes o sorriso que, de
tão sincero, chega a ser maroto. És como uma praga que não consigo extinguir.
Vai-te embora e muda de mundo! Este é pequeno de mais para nós os dois. É a
única salvação para o nosso pecado. Faz por mim o que eu não consigo sozinha. Levarei
comigo o teu doce sabor para o outro lado. Chegarei com um sorriso e
encontrar-te-ei. É uma promessa. Aí beberei o teu veneno sem culpa, como o
vinho que partilhámos no caminho. Aí aqueceremos o único sítio onde não sentiremos
calor.
Até lá... Fica apenas a certeza de que arderemos no inferno da lembrança um
do outro.
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