sexta-feira, 16 de agosto de 2013

A cada nova esquina

Ali ao virar da esquina. Em qualquer lado se conhece alguém. Numa fila de autocarro, na praia, num bar, numa discoteca, na fila do supermercado, na loja do cidadão, na repartição de finanças, numa loja de música, na escola, na faculdade, num café, na rua, num banco de jardim. Como se o perfume das feromonas tivesse fugido da maleta vermelha e se tivesse entornado em ti. É só mais um… e mais um.
Por entre a multidão não é difícil saber quem te faria tremer as pernas. Como se o frio na barriga congelasse o corpo e paralisasse os neurónios restantes. Aqueles que rapidamente tentam voltar a si e dar a ordem imperativa: “Recompõe-te. Age normalmente!”.
Talvez um dia isso seja possível. Mas hoje não. Hoje o teu olhar ainda desconcerta as minhas certezas. Hoje o teu sorriso ainda faz moça na minha confiança. Hoje ainda não me és indiferente, por entre centenas de pessoas. Hoje ainda te quero. Mas só hoje.
Hoje o amanhã ainda é um novo dia em que com o passar do tempo este “hoje” se transformará num ontem cada vez mais distante. Um dia, ao virar de uma nova esquina, o amanhã será hoje. Nesse dia, já não te verei por entre a multidão, seja uma multidão de milhões ou de uma só pessoa. Nesse dia serei livre e estarei pronta. Toda eu.

sexta-feira, 9 de agosto de 2013

A falta


Sinto-te a falta.
Sinto falta do teu toque
Do cheiro do teu sorriso
Do som do teu olhar quando me tocas.


Sinto falta dessa loucura surda
Do grito cego com que não dizias
O que sentias, o que querias
Porque afinal nem tu sabias.

 
E éramos dois à deriva
Num mar de uma só corrente
Que te puxava para longe
Sempre tão perto.
Nunca tão certo.

 
Sussurravas esse pensamento
Na esperança que eu o ouvisse
Com medo que eu o sentisse
E que afinal percebesse.


Que não era falta. Era presença.
A presença de te sentir ausente.

 
(Sinto hoje falta de te sentir a falta.)

quinta-feira, 8 de agosto de 2013

Ser mais

Há sempre alguém, ao virar de uma esquina, que nos lembra que há mais na vida. Mais sentimentos leves a serem descobertos. Se foste importante para mim, em algum momento, certamente encontrarás um lugar no meu coração onde permanecer. Nada farei para te esquecer, mas igualmente nada farei para te recuperar.

Como num lapso de tempo em que a vida se solta, conheces alguém que te preenche. Alguém com que poderias passar tempo, apenas tempo, sem o perder. Alguém com quem falar em silêncio ou gritar em surdina por entre sorrisos ternos. Alguém a quem desejas ardentemente tocar e partilhar da energia latente que nos(te) consome. Alguém que num universo paralelo – que afinal é o teu – seria perfeito. Mas alguém que habita um sonho longínquo de uma viagem que ainda está por fazer.
 
Ficam assim as coordenadas para esse sítio onde há mais. Mais vida. E ficam também as coordenadas para o ideal de alguém que te recordará que não te contentarás com menos se podes ter mais. Na vida tudo se acaba e tudo recomeça… É por isso mesmo que tu serás o meu mais, sempre que estiver perto de aceitar o menos.

Sem aviso


Chegou sem aviso. Com um sorriso terno e uma pergunta curiosa. A curiosidade pegou-se e em segundos cresceu. Em mim. Estranho ao princípio, rapidamente se misturou o sal da água com o sabor dos lençóis. Aquilo que eu gosto, aquilo que tu gostas…não é diferente a final.