Por todos os momentos em que visualizaste a tua vida de forma diferente. Por todos os fechar de olhos em que nos viste, perfeitos, como dois erros que o universo juntou. Eu sonhei o teu toque, no abraço terno que a tua culpa afastou. Foram minutos divertidos antes da verdade demolidora. Como quem saboreia o prazer uma última vez antes de riscar o desejo louco. Foi tão rápido quanto injusto. Duas almas não se deviam largar assim. Na escuridão de um futuro insatisfeito. Inacabado.
Vamos juntos para um destino longínquo onde ninguém julgará as nossas opções. Deixemo-nos apaixonar pelo ideal sem mais. Em que tudo é luz e calor, e os nossos corpos levitam sem pressa, movidos por duas almas leves.
Não devíamos pagar um preço tão alto por sentirmos o incontrolável... Não devíamos ser castigados por sentir o que não escolhemos, nem pedimos. A lembrança da tua existência já é, pela vida fora, castigo suficiente.
Maior até que o adeus.
Às vezes onde tudo acaba é o exato momento onde tudo recomeça. Onde estou, quem sou, para onde vou....o que é que interessa?! Devaneios, sentimentos, encontros e desencontros...dentro e fora de mim. Hoje. Agora. Por aqui.
quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015
terça-feira, 17 de fevereiro de 2015
É escuro, este sítio
É de noite. Não, é escuro. Está escuro neste sítio estranho, onde o sol não brilha. É o vazio de luz a instalar-se. Num salão de baile onde não há música. Nem pessoas. As pessoas foram há muito. Fugiram para onde há luz. Não ficaram para ver a decadência das paredes frias. Sem tinta fresca há tantos anos. Os restos das festas loucas ainda permanecem. No bar só há garrafas vazias, sem água para as lavar. O chão estalado de festas mil conta as histórias de uma vida. Onde ontem havia luz, música e cor, hoje só há lixo pelos cantos, ausência de vida e nostalgia dos tempos idos. A escadaria de acesso ao salão é demasiado alta e os saltos altos da vida já dificultam a subida. Foram ficando cá em baixo, à porta, os poucos que ainda se interessaram por aquele sítio. A curiosidade do antigamente fê-los ir até lá na esperança de o boato ser isso mesmo... um boato. Mas não era. E ali já não havia nada. Nada que interessasse. Apenas na cabeça de alguns jazia a lembrança da alegria vivida, da energia alucinada, da atração química. As histórias de pele e de alma quente não haviam morrido, é certo. Mas a distância do tempo esbatera a memória, esvaziando a emoção sentida. Ali já nada viveria outra vez, pensou enquanto a lágrima escorria.
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