Não digas mais nada. A noite já não precisa disso, de tão perfeita que foi.
Eu não preciso disso. Nem de sinos, balões ou serpentinas. Preciso só que me
beijes já, como se não houvesse mais nada no mundo que importasse. Como se este
fosse o único motivo pelo qual a terra ainda gira. Beija-me já ou terei de te
beijar eu. Estes segundos de espera estão a deixar-me louca, como quem circula
sem travões em reta de autoestrada. Sem limpa para-brisas em noite de
tempestade. Faz alguma coisa já ou não respondo por mim. Mais um minuto é tempo
de sofrimento infinito. Os teus lábios nos meus é a única ideia que povoa a
minha mente. O meu corpo. Sem espaço para mais nada. Como um muro
intransponível que se depara no nosso caminho. Nada passa para além dele. Eu
sem ti, sem o teu beijo, não passo para além. Então porque esperas? Esquece o
minuto que se segue e eterniza este segundo em mim, transformando a promessa de
beijo no beijo sentido que a noite envolveu desde o início.
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