quinta-feira, 17 de abril de 2014

Imobilidade

É uma consequência, um efeito e, simultaneamente, um defeito da natureza humana. Esse fantasma que paira sobre os mais ociosos ou, simplesmente, desgostosos. Quando nos encontramos perdidos tendemos a pontapear as pedrinhas que deixámos a sinalizar o caminho. Esse caminho que agora pode já não ter volta.

O ser humano, confrontado com uma decisão importante que deve tomar, hesita. Todos os pontos de viragem representam mudanças que pela sua mera definição são, sempre, capazes de nos angustiar. E se não é a angústia, é a ansiedade de estarmos conscientes de que estamos a procrastinar. Não porque não queremos, não porque não nos apetece, mas porque não somos capazes. Jamais seremos capazes de nos lançar despojada e autonomamente para a frente de uma batalha que sabemos estar perdida. Mas perdida ou não, é um combate necessário, é a luta o verdadeiro objectivo e não o seu resultado. E contra o quê verdadeiramente lutaremos nós?

Lutamos contra o nosso medo de mudar, de imprimir na nossa vida uma mudança de página ou, até, de guião. Duro é o caminho através do qual escrevemos e deixamos que escrevam o nosso destino. Porém é razão de força e necessidade não nos deixarmos escorregar pelo ralo do lavatório da vida. Ultrapassar o nosso próprio obstáculo – a petrificação.

Cristalizamos em nós o medo e acreditamos que não vale mais a pena acreditar. Somos o nosso maior inimigo depois da conspiração que julgamos o mundo tecer contra nós. Desaprendemos a pedir ajuda e um dia, quando mais dela necessitamos, ficamos imóveis na nossa incapacidade de acção. Uma, duas, três, até que a mesma se torna crónica. Como uma verdadeira doença, que os medicamentos não curam; já só evitam a chegada da morte.
 

Sem comentários:

Enviar um comentário