O ser humano, confrontado com uma decisão importante que deve tomar,
hesita. Todos os pontos de viragem representam mudanças que pela sua mera
definição são, sempre, capazes de nos angustiar. E se não é a angústia, é a
ansiedade de estarmos conscientes de que estamos a procrastinar. Não porque não
queremos, não porque não nos apetece, mas porque não somos capazes. Jamais
seremos capazes de nos lançar despojada e autonomamente para a frente de uma
batalha que sabemos estar perdida. Mas perdida ou não, é um combate necessário,
é a luta o verdadeiro objectivo e não o seu resultado. E contra o quê
verdadeiramente lutaremos nós?
Lutamos contra o nosso medo de mudar, de imprimir na nossa vida uma mudança
de página ou, até, de guião. Duro é o caminho através do qual escrevemos e
deixamos que escrevam o nosso destino. Porém é razão de força e necessidade não
nos deixarmos escorregar pelo ralo do lavatório da vida. Ultrapassar o nosso
próprio obstáculo – a petrificação.
Cristalizamos em nós o medo e acreditamos que não vale mais a pena
acreditar. Somos o nosso maior inimigo depois da conspiração que julgamos o
mundo tecer contra nós. Desaprendemos a pedir ajuda e um dia, quando mais dela
necessitamos, ficamos imóveis na nossa incapacidade de acção. Uma, duas, três,
até que a mesma se torna crónica. Como uma verdadeira doença, que os
medicamentos não curam; já só evitam a chegada da morte.
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