Poderei um dia voltar a cometer o
pecado de te querer? Poderei lutar contra mim própria?
Por longe que estejas, nunca
foste pó.
O sorriso que tantas vezes me
desarmou. O corpo que conheço como um mapa do tesouro por mim desenhado.
Porque choro eu?
Somos escravos de um destino que
não traçámos, de um amor que não quisemos.
Para onde foi todo o desejo que
sentíamos?
Deste-me tanto e tanto me tiraste…será
o balanço a fazer o de que ainda existes?!
Existes na memória da minha pele,
não já na minha cabeça.
Porque choro eu?
Ver-te nunca é uma digestão fácil
de fazer, mas antes uma refeição farta em tarde de calor alentejana.
Não matas, mas ainda móis.
Como a saudade desses tempos
intensamente leves que eram vividos com a beleza de um horizonte ainda longínquo.
Tão longínquo.
Porque choram as saudades?
Da simplicidade tão difícil de
alcançar na idade dos porquês.
Quando ainda não sabíamos o que a
vida nos reservava, enquanto discutíamos por tudo o que hoje já não importa.
Andámos tantas vezes em círculos
loucos de aventuras sem sentido…
Porque choraste tu?
Esperando que, como sempre, o
círculo se fechasse e nos empurrasse novamente para os braços um do outro.
Que o ímpeto de nos termos se
sobrepusesse a toda a dor do nosso afastamento.
Ainda lutaste, mesmo depois de eu
ter desistido. Como se tudo fosse possível.
Não grites. Não chores.
Eu sei, eu sei, desta vez o
círculo não se fechou.
Sem comentários:
Enviar um comentário