sexta-feira, 12 de dezembro de 2014

Cor cinza


Tantas vezes pensamos que o mais difícil é falar e confessar a traição ou a mentira; quando afinal isso é o ato libertador, o que transporta uma parte do peso da culpa para o outro. Por vezes, é mais difícil calar e viver a vida com a sombra constante do erro que se cometeu e guardar a dor só para si.

Mas quem sou eu para julgar?! Quem sou eu para ver os outros a preto e branco se a vida, essa, vive-se no cinzento? Não o cinzento da tristeza inerte ou da ausência de emoção, mas o cinzento das almas humanas que teimam em querer saltar do branco para o preto como se a gravidade fosse apenas uma piada. Porque é que afinal ansiamos tanto por chegar ao branco quando estamos no preto, e vice-versa, se é no cinzento que a vida acontece? É no cinzento que caímos redondos após um salto ambicioso, mas é também aí que nos levantamos mais fortes do que dantes. É no cinzento que estão os seres pensantes e não apenas os autómatos. É aqui que nos apaixonamos por todos os epítetos sobre os quais as mães nos avisaram. É no cinzento que estamos constantemente a gravar cenas sem realizador ou assistentes de produção. Aqui não há certo ou errado, nem verdade ou mentira. Aqui há apenas a perceção de cada um sobre cada uma destas coisas.

O cinzento encerra em si a falta de clareza do branco ou do preto, mas em compensação, permite a beleza de viver em harmonia com a imperfeição do Homem, de a amar e desejar na sua plenitude e com toda a intensidade.

Sem comentários:

Enviar um comentário