Nem sempre é uma questão de química. Às vezes é uma coisa de pele. Como se
o toque queimasse ao menor encontro. Ardendo de desejo por te saber perto. Podem
passar meses, anos, até mundos, que quando me voltas a tocar o meu corpo
recorda-se. Como se tivesse uma memória seletiva que se ativa ao som da tua
pele. Voltam lembranças de tempos idos. De quando nos escondíamos do mundo para
nos encontrarmos a nós. De quando saíamos sorrateiramente para fugirmos dos
olhares alheios. Era outro espaço de loucura, onde cortávamos as amarras de
sempre e quebrávamos tudo à nossa volta. Sem receio do dia seguinte e do
trabalho que teríamos em arrumar, limpar, reconstruir. Depois quebrou-se o
feitiço e seguimos o dito caminho da normalidade. Anos volvidos, ainda hoje
reconheço aquele olhar. E perdidos na multidão, ainda hoje a minha pele reage à
tua e te diz aquilo que só tu entendes. Como se fosse ontem que te inclinei a
cabeça e tu, percebendo o sinal, te levantaste à minha frente. Há coisas para
as quais o tempo não passa. E a minha pele gostar da tua é uma delas.
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