Olhando para os lados, um a um
E sorrateiramente espreitando para trás.
Não era receio que me seguissem
Mas apenas que me vissem
E soubessem, afinal, para onde eu ia.
No casulo árido
que criei
Ficaram os
espinhos que não tireiE aí me distanciei de tudo e de todos
E da dor. Da dor que carreguei.
E ainda carrego. Sem medo de assumir.
Foi dura esta
viagem
Em que trilhei o
caminho, longoPara sair daqui. De mim.
Foste tu. Foi por ti que perdi o medo
Aquele que me amarrava. E me atiçava
Incendiando as cinzas da minha alma.
Dormente das drogas que já não tomava.
Da coca que já não cheirava. Agora…
Apenas tinha a lembrança que me sabia a ti.
E nesse caminho
esburacado pelo tempo
A chuva de
ilusões cessara.Aqui já não. Já não mora aquele.
Aquele que me ensandecia docemente
Que me roubava o espaço e o tempo friamente
E que tudo o que levava, pelo caminho,
Não devolvia.
Mas hoje sou mais eu. Por ti. Porque sim.
Porque tu levaste a chave
Da porta do medo feroz
Que me separava de mim e que fazia, ah se fazia…
Que nesta loucura cândida
Das palavras perdidas
Eu ficasse mais perto de ti.
E agora? Agora vou-me.
Porque finalmente é dia
E eu apaguei a escuridão em mim.
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