quinta-feira, 27 de junho de 2013

Caminhando

Caminhei a medo
Olhando para os lados, um a um
E sorrateiramente espreitando para trás.
Não era receio que me seguissem
Mas apenas que me vissem
E soubessem, afinal, para onde eu ia.

No casulo árido que criei
Ficaram os espinhos que não tirei
E aí me distanciei de tudo e de todos
E da dor. Da dor que carreguei.
E ainda carrego. Sem medo de assumir.

Foi dura esta viagem
Em que trilhei o caminho, longo
Para sair daqui. De mim.
Foste tu. Foi por ti que perdi o medo
Aquele que me amarrava. E me atiçava
Incendiando as cinzas da minha alma.
Dormente das drogas que já não tomava.
Da coca que já não cheirava. Agora…
Apenas tinha a lembrança que me sabia a ti.

E nesse caminho esburacado pelo tempo
A chuva de ilusões cessara.
Aqui já não. Já não mora aquele.
Aquele que me ensandecia docemente
Que me roubava o espaço e o tempo friamente
E que tudo o que levava, pelo caminho,
Não devolvia.

Mas hoje sou mais eu. Por ti. Porque sim.
Porque tu levaste a chave
Da porta do medo feroz
Que me separava de mim e que fazia, ah se fazia…
Que nesta loucura cândida
Das palavras perdidas
Eu ficasse mais perto de ti.
E agora? Agora vou-me.
Porque finalmente é dia
E eu apaguei a escuridão em mim.

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