quarta-feira, 10 de julho de 2013

Por que demoraste tanto?

Vontade de me enfiar nos teus lençóis. A meio da noite escura. Como se o meu corpo soubesse o caminho. Caminho esse que nunca levou a nada, mas nunca esqueceu. O caminho da amizade colorida a desejo. Levanto-me e vou pé ante pé, já largando as roupas no corredor. Chego despida de pudores à tua cama e partilho do teu calor. Lentamente acordas ao sentir do meu toque, ouvindo a minha respiração. Sem estranheza aceitas a minha presença, como se a esperasses faz muito. Sentindo o meu corpo nu, beijas-me levemente. A princípio. De seguida matamos saudades de outra vida e envolvemo-nos na energia da noite. Uma noite só nossa. Em que a lua se enche só para nós. Extenuados pelo luar já longo, adormecemos juntos em sintonia. De manhã acordas-me… e com um beijo, perguntas baixinho: “Por que demoraste tanto?”.

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