Vontade de me enfiar nos teus lençóis. A meio da noite escura. Como se o
meu corpo soubesse o caminho. Caminho esse que nunca levou a nada, mas nunca
esqueceu. O caminho da amizade colorida a desejo. Levanto-me e vou pé ante pé,
já largando as roupas no corredor. Chego despida de pudores à tua cama e
partilho do teu calor. Lentamente acordas ao sentir do meu toque, ouvindo a
minha respiração. Sem estranheza aceitas a minha presença, como se a esperasses
faz muito. Sentindo o meu corpo nu, beijas-me levemente. A princípio. De
seguida matamos saudades de outra vida e envolvemo-nos na energia da noite. Uma
noite só nossa. Em que a lua se enche só para nós. Extenuados pelo luar já
longo, adormecemos juntos em sintonia. De manhã acordas-me… e com um beijo,
perguntas baixinho: “Por que demoraste
tanto?”.
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