Chiu. Não digas mais nada. Fiquemos em silêncio. Neste silêncio
ensurdecedor das nossas ideias. Deixa-me ser ocupa. A ocupa dos teus sonhos.
Como o ocupa do Quintal, que afinal arrenda, mas continua a acreditar viver na
ilegalidade.
Vivamos à margem da lei. Dessas leis que outros criaram e escreveram como
certas. Como se a verdade fosse só uma. Mais fria. Mais crua. Mais real. Mas a
verdade é um manto de retalhos que apenas pela sua conjugação fazem sentido.
Chiu. Não fales mais. Deixa-me ouvir o som das galinhas no Quintal. Esse
paraíso na cidade em que tudo pode ser real. E meo.
Por entre rostos, rastas, jambés e guitarras, a sinfonia das cores não
para.
E lá vai mais um risco. Um e depois outro. Em plena comunhão com o cheiro a
erva que paira. Nada mais se quer. Com o aditivo do desejo, o banquete está
completo. Tu sorris. Dizes que gostas de mim. E por hoje chega. Por hoje
sabes-me bem. E o quintal em Lisboa preenche a minha necessidade de natureza.
(e às vezes não é preciso mais nada)
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