Noite dentro no bairro do costume, nesse dia totalmente novo. Dobraram a
esquina de uma perpendicular escura, suja e gasta pelo tempo. "Porque tens tanta pressa?"
Perguntou ele. "Vou ensinar-te a não
teres pressa." disse, encostando-a à parede sem esperar pela resposta.
Colocando as mãos atrás das costas, ela sorriu num gesto condescendente,
como quem aceita os ensinamentos que está prestes a receber.
Ele inclinou-se sobre ela e, com as mãos apoiadas na parede atrás dela,
foi-se aproximando lentamente. Tão lentamente que ela sentia o respirar dele
sem sentir ainda o toque do seu corpo. Ouviram o respirar um do outro durante
algum tempo – ele provocava-a com a espera; ela deixou-se ir, viajando sem sair
do sítio. A energia dos corpos já se sentia e ainda nem se tinham tocado. A
temperatura das almas subia vertiginosamente e parecia que o coração lhe ia saltar do peito. Mas sobreviveu...e, mais do que isso, viveu intensamente aquele momento.
….um beijo
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