3 da manhã. Não estou. Para de tocar. Não vou abrir. Pára de ligar. Pára. Nem que ameaces que não vais voltar. Sai. Chega. Deixa-me de vez.
Fraquejo. Hoje é a ultima vez. Cedo. Abro a porta, deixando-a entreaberta. Porquê? Pergunto.
A resposta não chega sob a forma de palavras. Empurras-me com o olhar. Desejo o teu toque. Fervo. Ardo. Incendeias-me. Obedeço às ordens do teu corpo, espalhamos a paixão pelo tapete. O poder de pensar em sentir os teus lábios nos meus tira-me o chão. Arrancas os botões que já não tinha. Puxas as calças já soltas. Empurramos a mesa, não chegamos à cama. Partem-se os copos que sobraram da noite. Nada nos pára. O mundo já parou. Já não roda. Tu dentro de mim fez o mundo parar. Vezes sem conta. Hoje, como ontem. Como se fosse a primeira vez. Porque te abri a porta? Porquê? Raiva de mim mesma. Do teu corpo, da minha fraqueza. Mas é a última vez. Sem dúvida, esta é a ultima vez.
E ficas. Como das outras vezes. Contra tudo o que pensei. Ficas na minha pele. Como tatuagem feita em manhã de sofrimento.
Não sais nem com o banho matinal. Não há roupa lavada que elimine o teu cheiro. E de mim? O que sobra de mim depois de ti? Para a próxima não venhas. A menos que fiques.
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